Tema Janela de imagem. Imagens de tema por rajareddychadive. Tecnologia do Blogger.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Love



Esse video "Playing for Change" nos mostra de como uma música "One Love", de Bob Marley preenche a vida com algumas palavras singelas sobre o amor. O amor que consome o ser, que leva paz de espírito e que transborda de felicidade na vida das pessoas.

Medite, cresça, acredite e viva!!!

Peace & Love...

38 anos de amizade

Um tratado dá origem as cidades co-irmãs, Maringá e Kakogawa

Por Rossana Giani

No dia 2 de junho de 1973, em Maringá, na administração de Silvio Barros (pai) foi assinado um tratado de irmandade entre duas cidades, uma no Brasil e outra no Japão. Maringá e Kakogawa foram escolhidas para serem as cidades co-irmãs e mantém, desde então, uma estreita relação da amizade. Esse elo que une dois povos conttribui para o desenvolvimento das cidades, que beneficiam as comunidades brasileira e japonesa, através de projetos sociais, culturais e econômicas. As cidades compartilham ideias, programa, além da troca de experiência na arte e na cultura.

Segundo Shudo Yasunaga, diretor da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, o tratado beneficiou não somente o lado econômico, social e cultural das cidades, mas também, ao longo dos anos abriu portas para o intercâmbio empresarial. "Além disso, Kakogawa tem nos presenteado, a exemplo dos equipamentos médicos para o Wajunkai (entidade mantida pela comunidade nipo-brasileira que presta assistência aos idosos)". A parceria entre Kakogawa e Maringá não para por ai.
Há também o intercâmbio de jovens, a criação do centro de ensino de línguas estrangeiras, o recebimento de materiais didáticos, a elaboração dos projetos, como o Parque do Japão, a vinda de profissionais, entre outros. Contribuição e reconhecimento que valorizam a cultura oriental para os muitos imigrantes e descendentes que residem na Cidade Canção.

Em 1993, quando Yasunaga foi presidente da ACEMA, a cidade co-irmã viabilizou a construção do Centro Kakogawa-Maringá de Línguas Estrangeiras, a fim de proporcionar o ensino do idioma japonês aos alunos, e também a realização do intercâmbio cultural entre as cidades. "Justamente naquela época fazia vinte anos de irmandade Maringá-Kakogawa. E a cidade japonesa nos presenteou com a construção da escola, bem como encaminhou professores de Kakogawa para lecionar aqui", comenta.

Em 2006, a Prefeitura de Maringá e a cidade japonesa de Kakogawa lançaram o projeto do Parque do Japão, que homenageia os imigrantes japoneses que residem na cidade. Dois anos após, a imigração completou 100 anos de história.

Assim como uma comitiva japonesa tradicionalmente desembarca em Maringá, no mês de maio, para as festividades do aniversário da cidade, desta vez, lideres da comunidade maringaense já se encontram no Japão para participar das solenidades de comemoração dos 60 anos da fundação de Kakogawa.

Na agenda da comitiva estão programadas visitas à Província de Kyoto, onde esta o Templo Tyoin, matriz do Templo Nippakuji, de budismo, um dos pontos turísticos da cidade maringaense.

Segundo Yasunaga, os maringaenses são recepcionados com muita festa pelo povo de Kakogawa. "Kakogawa é a nossa segunda casa. Queremos sempre retribuir e agradecer a visita que eles nos fazem. Essa irmandade, Maringá - Kakogawa, é muito importante e só traz benefícios para ambas as cidades", finaliza Shudo Yasunaga.

Saiba que...
A cidade de Kakogawa, Província de Hyogo, completa 60 anos de fundação. Com 266.214 mil habitantes é a cidade co-irmã de Maringá. Três anos mais nova que a irmã paranaense, Kakogawa se diferencia entre as línguas, costumes e tradições orientais.

O que une duas cidades completamente diferentes e distantes? Uma brasileira e outra japonesa. A vontade em ser cidades boas para se morar, investir e visitar. Ambas querem proporcionar orgulho aos seus habitantes, para que aprendem a respeitar e admirar essa irmandade que reflete na vida de cada um.

O Parque do Japão foi elaborado também por técnicos trazidos da cidade japonesa, o Wajunkai recebeu equipamentos médicos e o Parque do Japão contou com profissionais japoneses em sua elaboração.

Todos os anos, jovens maringaenses vão para Kakogawa, em janeiro, e um grupo de jovens de Kakogawa vem para Maringá, em agosto, dentro de um projeto de intercâmbio cultural programado pelo Centro Kakogawa-Maringá de Línguas Estrangeiras (construído dentro da Associação Cultural e Esportiva de Maringá).

(Suplementos IMIN 102 ANOS DE HISTÓRIA, 13/06/2010, pág.38, Jornal O Diário do Norte do Paraná)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

10 coisas que eu odeio em você

Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirige o meu carro
E odeio o seu desleixo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Ainda mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar


Quem não se lembra desse filme? Quando a personagem Kat, a atriz Julia Stiles lê o poema que ela fez para o maravilhoso Patrick Verona, o ator Heath Ledger (ainda não me conformo por ele ter nos deixado)... Sou tão manteiga derretida que chorei nessa parte do filme, mas valeu, pois eles ficaram junto no final... sempre um final feliz rsrsrs

Infelizmente, o final de Heath Ledger não foi feliz igual ao filme.. mas que ele esteja em paz!

.....

Mudanças

Oi gente, mudei meu blog.. agora sim ficou a minha cara!! Ok, faltam alguns ajustes, mas prometo arrumar logo, pois fiquei um longo tempo sem postar nada...

Até o endereço foi modificado!! Espero que agora seja pra valer!! Preciso ter essa disciplina é necessário e faz bem =)

É isso...logo postarei coisas novas...

Bjos e até mais!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Casa arrumada  é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vestida para arrasar no casamento

A maioria das noivas não abre mão de se casar a rigor e com tudo a que tem direito: de véu, grinalda e com um vestido de tirar o fôlego. Traje também faz o noivo brilhar

Por Rossana Giani

Que mulher nunca sonhou em ter o seu vestido de noiva? As opções são tantas que é difícil não ficar confusa na hora da escolha. Há para todos os tipos, gostos e bolsos: evasê, shape sereia, tomara-que-caia, com decotes e texturas diversas, rodado, lânguido, casaco, manga, império, curto, volume, detalhe, listra, cor, camada, cintura, laço...

A primeira dica é escolher o corte do vestido e, depois o modelo. Estilos clássicos, românticos, tradicionais, contemporâneos e modernos são looks originais e marcantes para uma noiva. O detalhe, a sutileza, a emoção fazem parte desse acontecimento que envolve os convidados e mais ainda os noivos. O vestido pode ser simples ou com muito glamour, mas necessita ser delicado e leve.

Quando pensamos em um vestido de noiva, a imagem que vem à memória é de um  modelo que sempre estará em voga: o tomara-que-caia. Apesar do frio, o modelo ainda é o preferido das noivas. “O tomara-que-caia é sensual, charmoso e deixa as mulheres mais esguias”, comenta o estilista Ronny Dozzo, que trabalha há 23 anos no ramo de confecção e aluguel de trajes finos em Maringá.


Algumas mulheres preferem sair do tradicional e optar pelo modelo Jaqueline ou mesmo uma manga japonesa curtinha, que são algumas dicas do estilista. Já os modelos capas, como as túnicas, são perfeitos para as mulheres gordinhas, pois suavizam e ampliam a silhueta com um decote grande que vai até a cintura, sobreposto ao vestido e disfarçando o quadril. “O evasê seria o ideal para as gordinhas, pois alonga a silhueta sem ressaltar muito a cintura.”

Sobre tecidos, o estilista diz que há dois anos a renda chegou  ao mercado brasileiro. De tendência espanhola, ela chegou para ficar. Mas desta vez, o vestido está mais amplo, ao mesmo tempo em que ele é armado, é leve, possibilitando “os plissados brincam com a renda dando um ar de princesa”.

E essa leveza toda demonstra que a moda destacou  mais uma cor  nos vestidos de noiva, o off white (branco sujo), embora o tradicional branco continuará em moda. Sobre a roupa do noivo, ele comenta que a variedade de tecidos nacionais e importados proporcionam a ele possibilidade de também brilhar na cerimônia.  “O bacana que o homem hoje quer participar do casamento, quer ter o mesmo destaque que a noiva. Eu brinco que ele virou uma noiva. Ele quer ficar tão bonito quanto ela”.

Segundo Ronny, o traje masculino ideal para os noivos é o meio fraque e, para os convidados, o terno. Já para as convidadas, os vestidos longos, com decotes e profundos tanto na frente como atrás. A cor do vestido deve realçar o tom da pele. Depois, é só caprichar no make-up e no cabelo.

Questão de estilo
Baixinhas: modelos como tomara-que-caia e evasê. Evite os vestidos armados.
Gordinhas: evasê. Evite vestidos volumosos, pois marcam as formas. Prefira tecidos de caimento fácil e leve.
Magras: vestidos que realçam a silhueta ou volumosos terão um ótimo caimento no corpo das magras. Modelos de cintura marcada com saias amplas com tecidos encorpados é uma boa dica.
Altas: modelos como shape sereia, reto e lânguido são indicadas para mulheres altas e magras. Valorizam a silhueta.
Com busto: o mais aconselhável é um decote, que valorize e pronuncie seu busto.
Sem busto: qualquer modelo, mas que possam alongar e contornar o corpo como rodado, evasê, shape sereia, tomara-que-caia, utilizando bojos.
Terno: os tons mais claros para o dia. Já os tons escuros a qualquer hora.
Smoking:  sofisticado, só deve ser usado em casamentos à noite.
Meio-fraque:  é o traje preferido dos noivos. Sofisticado, de preferência usá-lo à noite.


(fonte: Suplementos Empresas & Cia - Especial Noivas - 13.06.2010, págs. 16-17 - O Diário do Norte do Paraná)

Comunidade budista em festa

O Jodoshu chegou ao Brasil em 1953, por meio de missionários japoneses. Templo budista em Maringá difunde a religião

por Rossana Giani


Em 2010, comemoram-se os 57 anos da comunidade budista jodoshu Nipppakuji no Brasil, com sedes em São Paulo, Maringá e Ibiúna. A comunidade de Maringá mantém um asilo, o Wajunkai. A construção do templo de Maringá retrata fielmente um verdadeiro templo oriental budista.
Com dois pavimentos em concreto, seu interior é todo em peroba, madeira nobre brasileira que foi doada pelo sr. Inagakai, de Matelândia, cidade localizada a 336km de Maringá.

Sua arquitetura japonesa expressa linhas tradicionais. Não foram necessários pregos ou parafusos para montar a estrutura do altar, utilizou-se a técnica do encaixe adicionando somente madeira para firmar.

Há um sino sagrado, o Joya-no-kame, na entrada do pátio do templo. Ouvem-se as badaladas, todos os anos, somente na virada do ano novo. São 108 badaladas para a despedida das almas aflitas que sofrem no ano que termina. O templo é marcante e faz parte de um dos pontos turísticos da cidade.

Eduardo Ryoho Sasaki e Theiso Inabe são os dois monges que atuam no templo budista de Maringá. Com eles trabalha o estudante Toshitaka Shikamori. Filho de japonês, ele está se preparando para ser monge. "Meu pai tomava conta do templo. Como ele faleceu, o monge Eduardo ficou em seu lugar. Eu ainda não sou monge, preciso me preparar para ser um". Para isso, ele precisa estudar os mandamentos do budismo durante cinco anos e também a língua japonesa.

Algumas cerimônias são abetas ao público em geral e celebradas no ritmo da oração. "O sutra é traduzido para o romandi, o alfabeto japonês. Já as celebrações particulares são feitas de acordo com o mês que a pessoa faleceu. Para os antepassados seguirem seu caminho e encontrarem a luz da salvação, deve-se realizar uma longa sequência de cerimônias, desde a do sétimo dia (morte), a de 49 dias, a de um ano e, assim, a dos anos subsequentes, somente os de número ímpar", diz Thoshitaka.

Theiso Inabe e Thoshitaka difundem o budismo como "aprendizagem e vivência da purificação da alma".

Onde fica:
Templo Budista Jodoshu Nippakuji
Av. Londrina, 477
Telefone: (44) 3223.1195
Maringá-PR



(Festival Nipo Brasileiro - 04.09.2010, pag. 26 - jornal O Diário do Norte do Paraná)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira VIII Tom Jobim e Vinícius de Morais, por Luiz Giani

Vinícius de Morais não é filiado ao PCB, embora tenha manifestado tal interesse. Em 1956, ele publica "O Operário em construção", sua mais notável incursão poética pelo tema da expropriação do trabalhador, na edição de lançamento da revista "Para Todos", dirigida por Jorge Amado, membro do PCB. Convida Oscar Niemeyer, também do PCB, para criar os cenários de "Orfeu da Conceição". Conta com a participação de Abdias do Nascimento e o Teatro Experimental Negro. Convida Tom Jobim para musicar a peça, iniciando com ele a mais notável dupla pioneira da música de protesto e da bossa nova. Estreita-se a aproximação de Vinícius e Tom Jobim com o movimento cultural em que atuam intensamente os comunistas. Outro parceiro de Tom é Newton Mendonça, pianista e letrista, militante do partido. Conforme Luís Bonfá, Newton é o "melhor amigo de Tom". 
"Orfeu" é louvado por Jorge Amado e Ênio Silveira, na Para Todos, como "parteiro de um novo mundo", de esperança, "nascendo do ventre dos povos", de concepção "genuinamente brasileira". O momento é de "degelo", abertura e ampliação do debate, com base nos princípios nacional-desenvolvimentistas, sem ataques à revolução estética até então acusada de burguês-decadente. Para Todos divulga opiniões e debates em torno das inovações da arte, como o concretismo, em seus primeiros passos no campo da música, poesia e artes visuais. A revista Fundamentos para de circular e a Para Todos evita os enunciados dogmáticos, sectários, condenatórios, que caracterizavam a fase anterior, insurrecional. O degelo, como desestalinização, é uma relativa descompressão do centralismo e ortodoxia do partido em matéria de cultura e arte. Nesta vídeo aula, executo "Frevo", de Tom/Vinícius, composto em 1958, de orientação estética conhecida como nacional-popular. Incluído na trilha do filme "Orfeu Negro" (Marcel Camus) inspirado em "Orfeu da Conceição", é um frevo tradicional que contrasta com o revolucionário "Felicidade", samba pioneiro da emergente bossa nova.


Esta é a oitava vídeo aula de uma série de oito disponível no canal "Música e ideologia", no site http://www.youtube.com/luizgiani43






Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira VII - Guerra Peixe, por Luiz Giani

Guerra Peixe, como membro do Movimento dos Partidários da Paz, envolve-se no plano de ação do partido comunista em defesa da paz mundial. Cresce o temor mundial de uma terceira guerra, na conjuntura de uma acirrada guerra fria entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco dos países socialistas. Enquanto participa do Congresso da Paz (1952), em Porto Alegre, Guerra Peixe recebe mensagens de que está sendo procurado pela polícia do Rio de Janeiro e Recife, com ordem de prisão. Recebe telegramas, cartas e manifestações de desagravo e solidariedade de centenas de manifestantes, entre eles, Jorge Amado, Niemeyer, Estrella, Santoro, Portinari, Dias Gomes e Konder. Na mesma ocasião, publica um artigo, na revista Fundamentos, contra o "formalismo da arte pela arte", conclamando os compositores para a responsabilidade do trabalho "sobre materiais populares nacionais".
Advogando o contato direto com as fontes folclóricas, Guerra Peixe é o compositor que mais critica a aparente projeção folclórica de muitas obras brasileiras. É um dos compositores brasileiros que mais desenvolvem a pesquisa de campo, coletando e estudando o folclore regional do nordeste e do eixo Rio-São Paulo. A difusa crença do partido comunista, de que a burguesia estaria agonizando, em sua fase "final", encontra adesão no pensamento de Guerra Peixe, que gostava de primar por palavras e um estilo pouco comuns, como aqui: "período decadente dessa classe que estertora nos seus mais trágicos momentos (com a divina graça de Deus)". 
Entre inúmeras obras com predomínio da projeção folclórica, a peça Mourão, para orquestra de cordas, resulta de seu convívio com o cego Aderaldo e seu guia Mário, no período de três anos de pesquisa em Recife (1950-1952). Aderaldo, cantador, na viola, faz duo com Mário, que o acompanha no toque de rabeca. Guerra Peixe relatou-me, em entrevista gravada em 1982, que o guia executava de forma ímpar, inusitada, inigualável, o toque de rabeca aprendido com Aderaldo. "De Viola e Rabeca" é o nome original da peça, aqui apresentada em minha adaptação para solo de piano. Você, ouvinte, pode acessar alguns vídeos de Mourão, disponíveis no Youtube, com a versão orquestral da obra.





Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira VI - Gnattali, por Luiz Giani

Embora não tenha filiação ao partido comunista, isto não impediu a proximidade de Radamés Gnattali com o movimento cultural de esquerda. Sua obra oscila entre o folclorismo nacionalista, especialmente o nordestino, e a influência da "música americana tipo Gershwin". Ele não segue a tese radical de que a influência do jazz seja um sinal de decadência. Em 1956, em entrevista publicada na Para Todos, revista dirigida por Jorge Amado, ele defende a "importação", conquanto a influência externa não sacrifique as características básicas da música brasileira. Na defesa de "novas formas ou nova temática, sem subverter as características básicas", ele enfatiza a necessidade de preservar o ritmo. A obra de Gnattali chega a países do bloco socialista, como a Suite brasileira, apresentada na Polônia, sob a regência de Edoardo Guarnieri, que relata: "Em Katovich, a Suite Brasileira de Radamés Gnatali teve tal êxito que me obrigou a repetir dois números da peça..." (Fundamentos, set./1951). A política do realismo socialista é intensa, momento em que o II Congresso Mundial dos Partidários da Paz (1951), em Varsóvia, concede um Prêmio da Paz a Paul Robeson, cantor norte-americano, militante do partido comunista e, posteriormente, exilado, vítima do macarthismo. Em 1952, Cláudio Santoro será também agraciado com um Prêmio da Paz, no III Congresso, pela sua obra orquestral Canto de amor e paz (1951), já apresentada no Festival da Primavera, de Praga. A música brasileira passa por momentos dramáticos, de dogmatismo e sectarismo, em decorrência da radicalização da luta política e cultural do partido, de intensa guerra-fria e apelo insurrecional. Observa-se uma hegemonia de esquerda na cultura nacional. 
O período subseqüente, de "degelo", é marcado por resistências ao dogmatismo, na conjuntura da emergente desestalinização. Nessa conjuntura, a obra de Gnattali chega também ao incipiente cinema novo, a convite de cineastas que mantém ligações com o PCB. Ele compõe para a trilha musical dos filmes Rio, 40 graus (1955) e Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos (direção, argumento e roteiro), filiado ao partido. 
Para ilustrar a concepção de Gnattali sobre a fusão entre o ritmo nacional e os elementos importados do jazz, interpreto, nesta vídeo aula, a valsa Perfumosa, de 1948.



Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira V - Guarnieri, por Luiz Giani

Embora nunca tenha admitido a existência de vínculos de militante com o Partido Comunista Brasileiro, Camargo Guarnieri manteve estreito intercâmbio com o meio musical soviético, tendo visitado a URSS e escrito um manifesto, a Carta Aberta aos Músicos e Críticos de Música do Brasil (1950), principal documento a revelar para o grande público as questões que dividiam a música em dois grandes blocos, de um lado, defensores do nacionalismo, e, de outro, defensores da vanguarda musical. Os comunistas dividiam-se, ocupando posições nos dois lados em conflito, com hegemonia da facção defensora da fusão entre nacionalismo e realismo socialista. Adversários do realismo socialista, os trotskistas tomavam partido pela vanguarda internacional.
É nesta conjuntura que o PCB conclama a população para a luta insurrecional. O capitalismo é entendido como sistema agonizante e o formalismo na arte, como expressão da burguesia decadente. Guarnieri estréia, em 1952, sua ópera Pedro Malasarte (de 1932, com libreto de Mário de Andrade). Após a morte do presidente Vargas (1954), o PCB começa a reconhecer os erros cometidos em sua política insurrecional. No plano internacional, o XX Congresso do Partido Comunista da URSS faz críticas ao governo de Stálin e abre um período de discussão e críticas ao dogmatismo e centralismo do partido. É o início do "degelo". Arrefece a guerra ideológica contra a vanguarda estética. A revista Para Todos, dirigida por Jorge Amado, abre espaço para o pluralismo de opiniões sobre o abstracionismo e inovações em arte. É bem recebida a emergente música concreta dos laboratórios eletroacústicos de Paris. Guarnieri torna-se assessor especial para assuntos de música do Ministério da Educação, no governo de Juscelino Kubitschek. No júri do Concurso Internacional de Piano Tchaikovsky (1958), em Moscou, é o único representante latino-americano, convidado por Shostakovich. No mesmo ano, compõe a Suíte Vila Rica para o filme Rebelião em Vila Rica (1959), filme-paráfrase da luta de libertação nacional "Inconfidência Mineira", dirigido pelos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, filiados ao PCB. 
Composta nesta conjuntura de "degelo" do realismo socialista, a Valsa Vila Rica que, aqui, interpreto, é de estilo neoclássico, inspirada nas modinheiras serestas tradicionais de Vila Rica (atual Ouro Preto) e integrante da Suíte Vila Rica.



Nacionalismo, realismo socialista, música brasileira IV-1 Santoro, por Luiz Giani

Cláudio Santoro foi o compositor com maior atuação, na estética da música "progressista", entre filiados e simpatizantes do Partido Comunista Brasileiro, o PCB. Ele concebia a música como frente da luta anti-imperialista e por uma nova sociedade, socialista. Era filiado ao PCB. Regeu e gravou algumas de suas obras, em Moscou. 
Nos Estados Unidos, iniciava-se a perseguição ao comunismo, através do macarthismo. Chaplin e o ator e cantor Paul Robeson estavam entre os exilados. Aqui, após dois anos de legalidade do partido, o registro do PCB foi cassado (março de 1947) e todos seus parlamentares eleitos perderam seus mandatos (janeiro de 1948). 
O partido enfrenta uma violenta repressão, sob os governos Dutra e Vargas. Na música, é imediata a resposta dos compositores adeptos da entonação sinfônica realista, a que chamavam "progressista". A forma e o conteúdo da música devem expressar "o entusiasmo do nosso povo, suas lutas, suas esperanças", como dizia Santoro, na revista Para Todos, de abril/1950, em comentário sobre a ópera que estava escrevendo, "Zé Brasil".
Crescia o temor de uma terceira guerra mundial. Os comunistas mobilizavam a luta pela paz, através do Movimento Mundial dos Partidários da Paz e seus congressos anuais. Em 1952, Santoro conquista o prêmio mundial da paz, pela sua obra orquestral "Canto de amor e paz".
De seu convívio com os compositores soviéticos resultavam relações de amizade duradoura e intercâmbios culturais, conforme documentado em suas cartas de 1955 e 1956. Nas cartas a Krenikoff e Kabalevski, ele afirmava que as viagens à União Soviética, as cartas e as amizades eram as melhores lembranças de sua carreira. No Congresso dos Compositores Soviéticos, de 1957, em Moscou, ele é o único representante latino-americano a estar presente.
Neste videoclipe, interpreto a canção de ninar "Acalanto da rosa" (1958), de Cláudio Santoro e Vinícius de Moraes. Ouça também, no youtube, as diversas interpretações de "Acalanto da rosa", em canto e piano, e o vídeo: Santoro - "Sinfonia da Paz", obra composta no ano seguinte ao prêmio mundial da paz. Sob a censura do governo Vargas, foi retirada desta sinfonia a palavra "paz".



Nacionalismo e realismo socialista na música brasileira III - F. Viana, por Luiz Giani

Frutuoso Viana compôs "Homenagem a Sinhô", em 1937, em virtude de sua luta em defesa da cultura popular. O homenageado, Sinhô, conhecido como o "rei do samba", viveu o último período de seu "reinado" na década de 1920 (Sinhô faleceu em 1930). 
A economia mundial ainda estava abalada pelo "crack" da economia norte-americana. Enquanto lá se desenvolvia o império, em seu domínio mundial, aqui, o movimento nacionalista enfrentava os problemas de identidade e organização da economia e da cultura nacional e popular, de país dominado, periférico (terceiro mundo), na resistência à dominação econômica e cultural externas. 
Dança de negros, corta-jaca (passo de samba rural), chula (variante do lundu, introduzido por escravos bantos), toada e samba estavam entre os motivos rítmicos que inspiravam as composições de Frutuoso Viana, no momento em que falar de música popular era falar de música folclórica, especialmente, negra e indígena, da área rural, pequenas cidades interioranas e bairros periféricos das grandes cidades. No Rio de Janeiro, grande parte dos músicos conhecidos como chorões eram negros e mestiços descendentes de africanos escravizados. Eles inventavam um modo de tocar próprio, nacionalizando gêneros europeus, como a valsa, o xótis e a polca, transformando-os em gêneros tipicamente brasileiros. Na origem do samba urbano carioca, misturavam-se a habanera cubana, o lundu (proveniente de Angola e Congo), a polca, o maxixe e o tango da Andaluzia. Assim, nossos tangos ou tanguinhos, das primeiras décadas que se seguiram à abolição da escravidão, eram sambas mesmo, que não podem ser confundidos com o tango argentino.
Neste vídeo, executo para você "Homenagem a Sinhô", valiosa contribuição de Frutuoso Viana para a estilização do samba, nas teclas do piano, tal como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth também o fizeram.
Dando continuidade a esta série de vídeo-aulas, você pode acessar o vídeoclipe IV, em torno do pensamento e obra de Cláudio Santoro, no qual interpreto a canção de ninar "Acalanto da rosa", em minha adaptação para piano solo. Originalmente, para canto e piano, sua autoria é de Cláudio Santoro e Vinícius de Moraes.



Nacionalismo, realismo socialista, música brasileira II - Mignone, por Luiz Giani

Mignone, filiado ao PCB, no período de legalidade do partido, utilizava a expressão "música socialística". Entre os compositores envolvidos na fusão do nacionalismo musical com o realismo socialista, alguns expressavam sua crença no advento próximo e irreversível do socialismo, com expressões do tipo: "decadência do capitalismo", "degenerescência da arte burguesa", "arte do capitalismo decadente", classe (a burguesia) que "estertora". 
A partir do momento em que se aproxima da doutrina do realismo socialista, o pensamento nacionalista, na arte brasileira, radicaliza sua posição contra a dominação, tanto externa, imperialista, quanto interna, de opressão das classes dominantes sobre os trabalhadores. Isto aconteceu, de um modo geral, nos países em que o partido comunista se fez atuante nos campos político-econômico e cultural. Desde o final do século XIX, difundia-se a tese marxista de que o núcleo das contradições sociais é o da dominação de classes sociais. O nacionalismo é um movimento histórico contra a dominação externa, mas, tende a ocultar a dominação de classes sociais, no interior da nação. Quando as classes dominantes estimulam o sentimento nacionalista, tal mecanismo pode ser útil para desviar a atenção dos dominados. Assim entendido, o nacionalismo torna-se uma conspiração para impedir a luta dos oprimidos contra seus reais inimigos.
Marcada, inicialmente, pela obra prima nacionalista, "Maracatu de Chico Rei" (1933), que está disponível no youtube, a trajetória de Mignone, em seu convívio com Mário de Andrade, evoluiu rapidamente para uma dimensão "proletária", explícita no próprio título da obra: "Sinfonia proletária" (1939). O título original foi substituído por "Sinfonia do trabalho" para, segundo ele, "evitar malentendidos". Ainda sob a ditadura do Estado Novo, ele compõe as 12 "Valsas de Esquina" (1938-1943) e os bailados de fundo social, "Espantalho" (1941), inspirado em quadros de Portinari, e "Iara" (1942), com cenários e figurinos de Portinari.
Em 1945, com o fim da guerra mundial, Mignone rege a "Sinfonia de Leningrado" (Shostakovich), no campo do Fluminense Futebol Clube, do Rio de Janeiro. Carlos Prestes convida-o para candidatar-se pelo partido...



Nacionalismo e realismo socialista na música brasileira I - Introdução, por Luiz Giani

Este vídeo é uma introdução da série de 8 (oito) vídeo aulas. A série situa historicamente o pensamento e a obra musical de cada compositor, como expressões articuladas com as conjunturas sócio-econômicas e político-ideológicas, nas quais estão inseridos os compositores Francisco Mignone, Frutuoso Viana, Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Guerra Peixe, Radamés Gnatalli, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Outros compositores serão abordados na próxima série de vídeos.
O período em questão vai de meados da década de 1930 a meados da década de 1950. O momento mais trágico do cruzamento entre o nacionalismo musical e o realismo socialista é o da guerra ideológica e musical ocorrida no início do segundo governo Vargas, quando o PCB conclamava as massas para a luta armada. 
Uma das teorias desenvolvidas nesta pesquisa é a de que existe paralelismo e convergência entre música e política, música e ideologia, neste breve período da história do Partido Comunista Brasileiro (PCB), um movimento sem precedentes, na história do país.



terça-feira, 10 de maio de 2011

Sobre a Vírgula

Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
 
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Detalhes Adicionais:
COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:


SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Google homenageia ilustrador britânico Roger Hargreaves com série de desenhos





Quem não se lembra dos livrinhos infantis chamados "Little Ms. Sunshine", "Mr. Happy", "Mr. Men"? Nos anos 80, esses personagens de cores únicas e formas engraçadas faziam sucesso entre a garotada. No Brasil, veio intitulado como a Turma do João Ninguém. Além de livros, tinha o álbum de figurinhas com os personagens.

E hoje, o Google homenageia o que seria o 76º aniversário de Roger Hargreaves, ilustrador de livros infantis, criador dos personagens o Mr. Men e o Little Miss.
 Cada vez que se acessa a página do Google hoje, aparece uma gravura diferente misturando obras do ilustrador com o logo do sistema de busca.


Roger Hargreaves viveu de 1935 a 1988 e desde 1971 produziu livros para crianças pequenas, com histórias simples e desenhos com cores fortes. As obras de Hargreaves foram traduzidas em quase 20 línguas e venderam mais de 80 milhões de cópias ao redor do mundo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011