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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nacionalismo, realismo socialista, música brasileira II - Mignone, por Luiz Giani

Mignone, filiado ao PCB, no período de legalidade do partido, utilizava a expressão "música socialística". Entre os compositores envolvidos na fusão do nacionalismo musical com o realismo socialista, alguns expressavam sua crença no advento próximo e irreversível do socialismo, com expressões do tipo: "decadência do capitalismo", "degenerescência da arte burguesa", "arte do capitalismo decadente", classe (a burguesia) que "estertora". 
A partir do momento em que se aproxima da doutrina do realismo socialista, o pensamento nacionalista, na arte brasileira, radicaliza sua posição contra a dominação, tanto externa, imperialista, quanto interna, de opressão das classes dominantes sobre os trabalhadores. Isto aconteceu, de um modo geral, nos países em que o partido comunista se fez atuante nos campos político-econômico e cultural. Desde o final do século XIX, difundia-se a tese marxista de que o núcleo das contradições sociais é o da dominação de classes sociais. O nacionalismo é um movimento histórico contra a dominação externa, mas, tende a ocultar a dominação de classes sociais, no interior da nação. Quando as classes dominantes estimulam o sentimento nacionalista, tal mecanismo pode ser útil para desviar a atenção dos dominados. Assim entendido, o nacionalismo torna-se uma conspiração para impedir a luta dos oprimidos contra seus reais inimigos.
Marcada, inicialmente, pela obra prima nacionalista, "Maracatu de Chico Rei" (1933), que está disponível no youtube, a trajetória de Mignone, em seu convívio com Mário de Andrade, evoluiu rapidamente para uma dimensão "proletária", explícita no próprio título da obra: "Sinfonia proletária" (1939). O título original foi substituído por "Sinfonia do trabalho" para, segundo ele, "evitar malentendidos". Ainda sob a ditadura do Estado Novo, ele compõe as 12 "Valsas de Esquina" (1938-1943) e os bailados de fundo social, "Espantalho" (1941), inspirado em quadros de Portinari, e "Iara" (1942), com cenários e figurinos de Portinari.
Em 1945, com o fim da guerra mundial, Mignone rege a "Sinfonia de Leningrado" (Shostakovich), no campo do Fluminense Futebol Clube, do Rio de Janeiro. Carlos Prestes convida-o para candidatar-se pelo partido...



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