Cláudio Santoro foi o compositor com maior atuação, na estética da música "progressista", entre filiados e simpatizantes do Partido Comunista Brasileiro, o PCB. Ele concebia a música como frente da luta anti-imperialista e por uma nova sociedade, socialista. Era filiado ao PCB. Regeu e gravou algumas de suas obras, em Moscou.
Nos Estados Unidos, iniciava-se a perseguição ao comunismo, através do macarthismo. Chaplin e o ator e cantor Paul Robeson estavam entre os exilados. Aqui, após dois anos de legalidade do partido, o registro do PCB foi cassado (março de 1947) e todos seus parlamentares eleitos perderam seus mandatos (janeiro de 1948).
O partido enfrenta uma violenta repressão, sob os governos Dutra e Vargas. Na música, é imediata a resposta dos compositores adeptos da entonação sinfônica realista, a que chamavam "progressista". A forma e o conteúdo da música devem expressar "o entusiasmo do nosso povo, suas lutas, suas esperanças", como dizia Santoro, na revista Para Todos, de abril/1950, em comentário sobre a ópera que estava escrevendo, "Zé Brasil".
Crescia o temor de uma terceira guerra mundial. Os comunistas mobilizavam a luta pela paz, através do Movimento Mundial dos Partidários da Paz e seus congressos anuais. Em 1952, Santoro conquista o prêmio mundial da paz, pela sua obra orquestral "Canto de amor e paz".
De seu convívio com os compositores soviéticos resultavam relações de amizade duradoura e intercâmbios culturais, conforme documentado em suas cartas de 1955 e 1956. Nas cartas a Krenikoff e Kabalevski, ele afirmava que as viagens à União Soviética, as cartas e as amizades eram as melhores lembranças de sua carreira. No Congresso dos Compositores Soviéticos, de 1957, em Moscou, ele é o único representante latino-americano a estar presente.
Neste videoclipe, interpreto a canção de ninar "Acalanto da rosa" (1958), de Cláudio Santoro e Vinícius de Moraes. Ouça também, no youtube, as diversas interpretações de "Acalanto da rosa", em canto e piano, e o vídeo: Santoro - "Sinfonia da Paz", obra composta no ano seguinte ao prêmio mundial da paz. Sob a censura do governo Vargas, foi retirada desta sinfonia a palavra "paz".
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