Advogando o contato direto com as fontes folclóricas, Guerra Peixe é o compositor que mais critica a aparente projeção folclórica de muitas obras brasileiras. É um dos compositores brasileiros que mais desenvolvem a pesquisa de campo, coletando e estudando o folclore regional do nordeste e do eixo Rio-São Paulo. A difusa crença do partido comunista, de que a burguesia estaria agonizando, em sua fase "final", encontra adesão no pensamento de Guerra Peixe, que gostava de primar por palavras e um estilo pouco comuns, como aqui: "período decadente dessa classe que estertora nos seus mais trágicos momentos (com a divina graça de Deus)".
Entre inúmeras obras com predomínio da projeção folclórica, a peça Mourão, para orquestra de cordas, resulta de seu convívio com o cego Aderaldo e seu guia Mário, no período de três anos de pesquisa em Recife (1950-1952). Aderaldo, cantador, na viola, faz duo com Mário, que o acompanha no toque de rabeca. Guerra Peixe relatou-me, em entrevista gravada em 1982, que o guia executava de forma ímpar, inusitada, inigualável, o toque de rabeca aprendido com Aderaldo. "De Viola e Rabeca" é o nome original da peça, aqui apresentada em minha adaptação para solo de piano. Você, ouvinte, pode acessar alguns vídeos de Mourão, disponíveis no Youtube, com a versão orquestral da obra.
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