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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira VII - Guerra Peixe, por Luiz Giani

Guerra Peixe, como membro do Movimento dos Partidários da Paz, envolve-se no plano de ação do partido comunista em defesa da paz mundial. Cresce o temor mundial de uma terceira guerra, na conjuntura de uma acirrada guerra fria entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco dos países socialistas. Enquanto participa do Congresso da Paz (1952), em Porto Alegre, Guerra Peixe recebe mensagens de que está sendo procurado pela polícia do Rio de Janeiro e Recife, com ordem de prisão. Recebe telegramas, cartas e manifestações de desagravo e solidariedade de centenas de manifestantes, entre eles, Jorge Amado, Niemeyer, Estrella, Santoro, Portinari, Dias Gomes e Konder. Na mesma ocasião, publica um artigo, na revista Fundamentos, contra o "formalismo da arte pela arte", conclamando os compositores para a responsabilidade do trabalho "sobre materiais populares nacionais".
Advogando o contato direto com as fontes folclóricas, Guerra Peixe é o compositor que mais critica a aparente projeção folclórica de muitas obras brasileiras. É um dos compositores brasileiros que mais desenvolvem a pesquisa de campo, coletando e estudando o folclore regional do nordeste e do eixo Rio-São Paulo. A difusa crença do partido comunista, de que a burguesia estaria agonizando, em sua fase "final", encontra adesão no pensamento de Guerra Peixe, que gostava de primar por palavras e um estilo pouco comuns, como aqui: "período decadente dessa classe que estertora nos seus mais trágicos momentos (com a divina graça de Deus)". 
Entre inúmeras obras com predomínio da projeção folclórica, a peça Mourão, para orquestra de cordas, resulta de seu convívio com o cego Aderaldo e seu guia Mário, no período de três anos de pesquisa em Recife (1950-1952). Aderaldo, cantador, na viola, faz duo com Mário, que o acompanha no toque de rabeca. Guerra Peixe relatou-me, em entrevista gravada em 1982, que o guia executava de forma ímpar, inusitada, inigualável, o toque de rabeca aprendido com Aderaldo. "De Viola e Rabeca" é o nome original da peça, aqui apresentada em minha adaptação para solo de piano. Você, ouvinte, pode acessar alguns vídeos de Mourão, disponíveis no Youtube, com a versão orquestral da obra.





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