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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira VI - Gnattali, por Luiz Giani

Embora não tenha filiação ao partido comunista, isto não impediu a proximidade de Radamés Gnattali com o movimento cultural de esquerda. Sua obra oscila entre o folclorismo nacionalista, especialmente o nordestino, e a influência da "música americana tipo Gershwin". Ele não segue a tese radical de que a influência do jazz seja um sinal de decadência. Em 1956, em entrevista publicada na Para Todos, revista dirigida por Jorge Amado, ele defende a "importação", conquanto a influência externa não sacrifique as características básicas da música brasileira. Na defesa de "novas formas ou nova temática, sem subverter as características básicas", ele enfatiza a necessidade de preservar o ritmo. A obra de Gnattali chega a países do bloco socialista, como a Suite brasileira, apresentada na Polônia, sob a regência de Edoardo Guarnieri, que relata: "Em Katovich, a Suite Brasileira de Radamés Gnatali teve tal êxito que me obrigou a repetir dois números da peça..." (Fundamentos, set./1951). A política do realismo socialista é intensa, momento em que o II Congresso Mundial dos Partidários da Paz (1951), em Varsóvia, concede um Prêmio da Paz a Paul Robeson, cantor norte-americano, militante do partido comunista e, posteriormente, exilado, vítima do macarthismo. Em 1952, Cláudio Santoro será também agraciado com um Prêmio da Paz, no III Congresso, pela sua obra orquestral Canto de amor e paz (1951), já apresentada no Festival da Primavera, de Praga. A música brasileira passa por momentos dramáticos, de dogmatismo e sectarismo, em decorrência da radicalização da luta política e cultural do partido, de intensa guerra-fria e apelo insurrecional. Observa-se uma hegemonia de esquerda na cultura nacional. 
O período subseqüente, de "degelo", é marcado por resistências ao dogmatismo, na conjuntura da emergente desestalinização. Nessa conjuntura, a obra de Gnattali chega também ao incipiente cinema novo, a convite de cineastas que mantém ligações com o PCB. Ele compõe para a trilha musical dos filmes Rio, 40 graus (1955) e Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos (direção, argumento e roteiro), filiado ao partido. 
Para ilustrar a concepção de Gnattali sobre a fusão entre o ritmo nacional e os elementos importados do jazz, interpreto, nesta vídeo aula, a valsa Perfumosa, de 1948.



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