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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nacionalismo, realismo socialista e música brasileira V - Guarnieri, por Luiz Giani

Embora nunca tenha admitido a existência de vínculos de militante com o Partido Comunista Brasileiro, Camargo Guarnieri manteve estreito intercâmbio com o meio musical soviético, tendo visitado a URSS e escrito um manifesto, a Carta Aberta aos Músicos e Críticos de Música do Brasil (1950), principal documento a revelar para o grande público as questões que dividiam a música em dois grandes blocos, de um lado, defensores do nacionalismo, e, de outro, defensores da vanguarda musical. Os comunistas dividiam-se, ocupando posições nos dois lados em conflito, com hegemonia da facção defensora da fusão entre nacionalismo e realismo socialista. Adversários do realismo socialista, os trotskistas tomavam partido pela vanguarda internacional.
É nesta conjuntura que o PCB conclama a população para a luta insurrecional. O capitalismo é entendido como sistema agonizante e o formalismo na arte, como expressão da burguesia decadente. Guarnieri estréia, em 1952, sua ópera Pedro Malasarte (de 1932, com libreto de Mário de Andrade). Após a morte do presidente Vargas (1954), o PCB começa a reconhecer os erros cometidos em sua política insurrecional. No plano internacional, o XX Congresso do Partido Comunista da URSS faz críticas ao governo de Stálin e abre um período de discussão e críticas ao dogmatismo e centralismo do partido. É o início do "degelo". Arrefece a guerra ideológica contra a vanguarda estética. A revista Para Todos, dirigida por Jorge Amado, abre espaço para o pluralismo de opiniões sobre o abstracionismo e inovações em arte. É bem recebida a emergente música concreta dos laboratórios eletroacústicos de Paris. Guarnieri torna-se assessor especial para assuntos de música do Ministério da Educação, no governo de Juscelino Kubitschek. No júri do Concurso Internacional de Piano Tchaikovsky (1958), em Moscou, é o único representante latino-americano, convidado por Shostakovich. No mesmo ano, compõe a Suíte Vila Rica para o filme Rebelião em Vila Rica (1959), filme-paráfrase da luta de libertação nacional "Inconfidência Mineira", dirigido pelos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, filiados ao PCB. 
Composta nesta conjuntura de "degelo" do realismo socialista, a Valsa Vila Rica que, aqui, interpreto, é de estilo neoclássico, inspirada nas modinheiras serestas tradicionais de Vila Rica (atual Ouro Preto) e integrante da Suíte Vila Rica.



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