Frutuoso Viana compôs "Homenagem a Sinhô", em 1937, em virtude de sua luta em defesa da cultura popular. O homenageado, Sinhô, conhecido como o "rei do samba", viveu o último período de seu "reinado" na década de 1920 (Sinhô faleceu em 1930).
A economia mundial ainda estava abalada pelo "crack" da economia norte-americana. Enquanto lá se desenvolvia o império, em seu domínio mundial, aqui, o movimento nacionalista enfrentava os problemas de identidade e organização da economia e da cultura nacional e popular, de país dominado, periférico (terceiro mundo), na resistência à dominação econômica e cultural externas.
Dança de negros, corta-jaca (passo de samba rural), chula (variante do lundu, introduzido por escravos bantos), toada e samba estavam entre os motivos rítmicos que inspiravam as composições de Frutuoso Viana, no momento em que falar de música popular era falar de música folclórica, especialmente, negra e indígena, da área rural, pequenas cidades interioranas e bairros periféricos das grandes cidades. No Rio de Janeiro, grande parte dos músicos conhecidos como chorões eram negros e mestiços descendentes de africanos escravizados. Eles inventavam um modo de tocar próprio, nacionalizando gêneros europeus, como a valsa, o xótis e a polca, transformando-os em gêneros tipicamente brasileiros. Na origem do samba urbano carioca, misturavam-se a habanera cubana, o lundu (proveniente de Angola e Congo), a polca, o maxixe e o tango da Andaluzia. Assim, nossos tangos ou tanguinhos, das primeiras décadas que se seguiram à abolição da escravidão, eram sambas mesmo, que não podem ser confundidos com o tango argentino.
Neste vídeo, executo para você "Homenagem a Sinhô", valiosa contribuição de Frutuoso Viana para a estilização do samba, nas teclas do piano, tal como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth também o fizeram.
Dando continuidade a esta série de vídeo-aulas, você pode acessar o vídeoclipe IV, em torno do pensamento e obra de Cláudio Santoro, no qual interpreto a canção de ninar "Acalanto da rosa", em minha adaptação para piano solo. Originalmente, para canto e piano, sua autoria é de Cláudio Santoro e Vinícius de Moraes.
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