"Orfeu" é louvado por Jorge Amado e Ênio Silveira, na Para Todos, como "parteiro de um novo mundo", de esperança, "nascendo do ventre dos povos", de concepção "genuinamente brasileira". O momento é de "degelo", abertura e ampliação do debate, com base nos princípios nacional-desenvolvimentistas, sem ataques à revolução estética até então acusada de burguês-decadente. Para Todos divulga opiniões e debates em torno das inovações da arte, como o concretismo, em seus primeiros passos no campo da música, poesia e artes visuais. A revista Fundamentos para de circular e a Para Todos evita os enunciados dogmáticos, sectários, condenatórios, que caracterizavam a fase anterior, insurrecional. O degelo, como desestalinização, é uma relativa descompressão do centralismo e ortodoxia do partido em matéria de cultura e arte. Nesta vídeo aula, executo "Frevo", de Tom/Vinícius, composto em 1958, de orientação estética conhecida como nacional-popular. Incluído na trilha do filme "Orfeu Negro" (Marcel Camus) inspirado em "Orfeu da Conceição", é um frevo tradicional que contrasta com o revolucionário "Felicidade", samba pioneiro da emergente bossa nova.
Esta é a oitava vídeo aula de uma série de oito disponível no canal "Música e ideologia", no site http://www.youtube.com/luizgiani43

